Espírito Santo em Ação

Lideranças debatem caminhos para construir instituições duradouras


07.11.2017

Formar lideranças é um dos princípios que norteiam o movimento empresarial Espírito Santo em Ação. Resultado dessa atuação foi o trabalho e incentivo para a criação do Instituto Líderes do Amanhã, grupo de jovens empreendedores que, entre outras ações, já está alçando voos longos, como a organização do Fórum Liberdade e Democracia. Nesta segunda-feira foi promovida a quinta edição do evento, com o tema "Valores que Constroem Instituições Duradouras" e palestrantes que colocaram o debate em alto nível. O encontro reuniu mais de 1,1 mil participantes.
Logo na abertura, o governador Paulo Hartung destacou a importância de iniciativas que buscam a formação de lideranças. "Valorizo movimentos como esse daqui", frisou. Hartung foi enfático ao afirmar que o País carece de pessoas que possam ocupar essa posição porque o Estado não pode todas as coisas.
Para o governador, essa concepção equivocada é uma doença que assola o Brasil e a América Latina porque nenhum governo pode tudo. "O governo não faz PIB, não produz crescimento econômico, mas pode produzir crise fiscal", observou.
Ajuste
Hartung colocou ainda em evidência os números da falta de ajuste na administração federal: o rombo passa de R$ 150 bilhões nas contas públicas.
Embora defenda a redução do papel do Estado para fomentar o crescimento econômico, o governador também considera fundamentais mudanças no próprio setor público, como a troca da burocracia por agilidade para garantir mais eficiência e eficácia nos serviços prestados.
Questionado sobre a estabilidade de servidores - que, para alguns segmentos, resulta em má qualidade no atendimento -, Hartung pondera que algumas áreas precisam desse mecanismo, mas que deveria ser discutida uma mudança na legislação para flexibilizar a sua utilização. "Alguns conceitos na vida privada de eficiência e resultados precisam ser consagrados também pelo Estado".
O Estado - em seu mais amplo sentido - esteve também no foco de outros palestrantes do fórum como Mateus Bandeira, ex-CEO da Falconi Consultores de Resultado. Quando falava que os países que mais se desenvolvem compartilham de valores como respeito aos contratos, à propriedade privada e à livre iniciativa, gerando confiança no ambiente de negócios e estimulando investimentos, Mateus observou que o empreendedor gera oportunidade de emprego e renda. "Já o governo, não gera nada. Só toma da sociedade", afirmou o executivo, sendo bastante aplaudido.
Indicadores
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, apresentou números que, segundo ele, indicam que o País segue no caminho certo para a retomada da economia. Um dos indicadores é a queda na redução da taxa básica de juros (Selic) que, de 2016 até o momento, passou de 14,25 para 7,5 ao ano. 
Para o presidente do Bacen, ainda cabe mais redução até o final de 2017, mas ressaltou a importância de realização de reformas, como a da Previdência, para que o crescimento econômico seja consolidado e haja a queda do juro estrutural, ou seja, sem provocar a pressão da inflação.
Ex-presidente da instituição, Gustavo Franco também defende as reformas, porém faz uma ressalva: "elas não são redentoras; precisam acontecer sempre". Em sua opinião, o País persiste em um erro que é gastar mais do que dispõe, tornando o crédito para empresários e pessoas físicas mais caro.
Eleições
Na avaliação do senador Ricardo Ferraço, que também participou do debate, o trabalho da equipe econômica é o que de melhor tem no governo central, mas a política é deplorável. Tanto é assim que não acredita que a reforma da Previdência seja aprovada ainda nesta administração porque, segundo o senador, Temer já fez muitas concessões para se manter no poder. "Nossa janela de oportunidades será em 2018", ressaltou Ricardo, referindo-se ao fato de que, no próximo ano, o País terá novas eleições.
A gestão pública de qualidade é uma das prioridades do Espírito Santo em Ação em suas estratégias de atuação. "E, nessa área, identificamos que era necessário trazer informações para a sociedade monitorar a atuação dos governantes", ressaltou Aridelmo Teixeira, presidente do ES em Ação durante sua apresentação no Fórum.
O diretor institucional do movimento empresarial, Luiz Wagner Chieppe, acrescentou que, se de um lado é fundamental melhorar a gestão pública, de outro o desenvolvimento de uma nação só se completa com boa educação.
Escola Viva
Portanto, a educação é o pilar que completa o tripé de sustentação do trabalho do ES em Ação. Aridelmo Teixeira observou que essa é uma área com atuação de longo prazo para que comecem a ser colhidos os resultados, e por isso os desafios precisam ser enfrentados com determinação. Uma das iniciativas da entidade foi apresentar o modelo de educação em tempo integral para o governo do Estado que, ao implantá-lo, deu o nome de Escola Viva.
Entre as características do programa está a possibilidade de os alunos vivenciarem experiências fora da sala de aula. Assim, um grupo de alunos da Escola Joaquim Beato, na Serra, esteve na plateia do Fórum, acompanhando os debates, aprendendo um pouco mais sobre liderança e ouvindo experiências bem-sucedidas.
A professora Izabella Guimarães, de Sociologia e Projeto de Vida, destacou que o Escola Viva contempla tudo o que um educador gostaria de ter: "tempo para se dedicar aos alunos". Ela falou que a interação com os estudantes é muito maior e a contribuição vai além do aprendizado das disciplinas, pois ajuda a formar os jovens como cidadãos.
O aluno Lukka Schultz, 17, corroborou a fala de Izabella e acrescentou que, no Escola Viva, aprendeu a gostar de estudar. "Conhecimento nunca é demais".
Experiência de vida
Para Lukka e os outros jovens que participaram do evento, uma boa referência na área de educação é Anderson Caio Santos Silva. Aos 23 anos e recém-formado em Ciência da Computação, ele contou um pouco de sua história e como os estudos transformaram - e ainda transformam - a sua vida. De família humilde e estudando sempre em escola pública, Anderson percebeu que precisaria de um esforço extra para ingressar na sonhada Universidade de São Paulo. Na 3ª série do ensino médio, ficava de 12 a 14 horas por dia estudando, incluindo o apoio de um cursinho popular, a fim de alcançar seu objetivo. No final do ano, não passou apenas na USP, mas em várias faculdades.
Ao iniciar a graduação, outras dificuldades surgiram. Entrou no curso de Ciência da Computação, mas não tinha nem computador em casa. Entretanto, continuou se dedicando aos estudos e, por seu desempenho, conseguiu bolsas que o mantiveram no curso e a possibilidade de ajudar a família.
Anderson se destacou tanto que obteve a oportunidade de passar uma temporada na sede do Google, nos Estados Unidos, e para poder viajar correu atrás para aprender inglês. E finalizou sua jornada acadêmica no ano passado, na principal faculdade do Canadá.
Agora, seu objetivo é retornar todo o investimento que recebeu, por meio de bolsas, para a comunidade. Em mente, Anderson tem a ideia de implantar cursinhos populares, tal qual o que o ajudou a ingressar na USP e que não manteve as atividades por falta de apoio.
Unconference
Identificar projetos que possam causar impacto na sociedade também era a proposta do Unconference, evento que aconteceu paralelamente às palestras do Fórum e reuniu muitas pessoas que têm um olhar diferente para o mundo. "São pessoas que, mesmo em tempo de crise, querem fazer a diferença", afirmou Perseu Menezes, associado do Instituto Líderes do Amanhã e um dos responsáveis pela ação.
Perseu contou que, nesta primeira edição do Unconference, 32 projetos das áreas de educação, saúde, gestão pública e desenvolvimento econômico e urbano foram inscritos, dos quais 14 foram selecionados para exposição durante o fórum. Assim, os idealizadores tiveram a chance de expor suas ideias e ampliar a visibilidade de seus projetos, além de criar networking e a possibilidade de viabilizar a sua implantação.
O presidente do Instituto Líderes do Amanhã, Fernando Cinelli, fez um balanço positivo do Fórum, sobretudo pelo fato do tema "Valores que Constroem Instituições Duradouras" ter sido bem explorado nos painéis pelos palestrantes, além da entidade ter premiado duas instituições e ter se conectado com outras importantes iniciativas. Cinelli também destacou a cobertura da imprensa - local e nacional - e a grande participação de lideranças políticas, do terceiro setor, de empresários e estudantes. 
"O Fórum atingiu o que a gente queria. Inclusive expor bastante nossos associados nas apresentações e disseminar a visão do Líderes, que é ser um instituto de excelência na formação de lideranças, pautada em nove valores (entre os quais ordem, progresso e justiça). O Fórum ajuda a fortalecer nosso trabalho e a entrega para nossos clientes, que são o público e a sociedade", comemorou Cinelli. Em 2018, preparem-se para a sexta edição do evento. 

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